A Boa Parte: reflexões sobre o universo feminino baseadas na Doutrina Espírita Cristã
O ponto de partida
“E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;
E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Marta, porém, andava distraída em muitos serviços, e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe, pois, que me ajude.
E, respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas,
Mas só uma é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”.
Lucas, 10: 38 – 42
A passagem bíblica acima transcrita é de importância singular para as mulheres que desejam compreender qual o caminho a seguir, a fim de se aproveitar a presente existência da melhor forma possível.
Nesse trecho, Jesus ensina que o universo feminino é repleto de atividades que terminam por distrair as mulheres do que é mais importante. Isso não significa que essas atividades não sejam relevantes, mas sim que a mulher sábia deve realizar seu trabalho no lar e fora dele, seus estudos, seus cuidados com a família e consigo mesma, sem esquecer que a sua prioridade é a busca pelo crescimento espiritual.
Essa busca pelo crescimento espiritual não é algo que exija um isolamento do mundo para ser realizada; pelo contrário, o desenvolvimento efetivo da espiritualidade é algo que faz parte do quotidiano, inserido no contexto das atividades diárias.
Conversaremos, então, a partir de agora, sobre alguns relevantes pontos de reflexão para a mulher que busca o exercício da espiritualidade no dia-a-dia, que é “a boa parte, a qual não lhe será tirada”.
Em busca da beleza imperecível
Às mulheres são dirigidas, de muitas maneiras diferentes, mensagens que estimulam a vaidade e o consumismo; elas passam a acreditar que conseguirão gostar de si mesmas apenas se emagrecerem x quilos, se nos cabelos tiver sido aplicado determinado produto, se as roupas refletirem determinada tendência.
As muitas que cedem a esses apelos estão somente buscando a felicidade, mas estão buscando-a da forma errada.
Diz Loester, em “Sinônimos para a Paz” (Editora Espírita Cristã Fonte Viva), que:
“Aformosear é trabalhar para ser jovem e ser belo, e é bom que seja sempre diante de Cristo, nas luzes do Pai Celestial”.
De que valem os padrões de beleza, se eles mudam constantemente? De que adianta seguir a moda, se amanhã ela já será outra?
Quem desejar angariar uma beleza imperecível, que nem o tempo será capaz de destruir, embeleze-se intimamente, buscando obedecer aos ensinamentos de Cristo. Para a mulher que desenvolve qualidades cristãs, o passar dos anos não é algo a temer, mas sim fonte de alegria pela conquista de experiência útil e evolução espiritual.
Extremos prejudiciais
Como dissemos anteriormente, a beleza que a mulher deve buscar é a interior, eterna, imperecível. Porém, quando dissemos isso, não estávamos incentivando o desleixo, o descaso com o corpo e a apresentação.
Em assuntos de aparência, o equilíbrio é a chave. Todo exagero é prejudicial, seja para mais, seja para menos. Portanto, fazer dos cuidados com a beleza a parte mais importante da vida denota desequilíbrio, o mesmo desequilíbrio que acomete quem despreza cuidados básicos de higiene, saúde e apresentação.
Portanto, não nos furtemos aos cuidados com o corpo pois, quando os realizamos equilibradamente, estamos honrando a Deus ao valorizar o instrumento com que Ele graciosamente nos equipou, possibilitando a nossa vida na Terra.
Missão singular, significado profundo
Solteira ou casada, dona de casa ou executiva, mãe ou filha, a missão da mulher é sempre de grande relevância no meio onde atua, tanto no lar como fora dele.
Qualquer que seja a posição em que a mulher se encontra, ensina-nos André Luiz que “o trabalho da mulher é sempre a missão do amor, estendendo-se ao infinito”.
Compreendendo essa realidade, a mulher é capaz de ver mais claramente quais são as tarefas que foram a ela incumbidas e refletir a respeito de como realizá-las da melhor maneira possível, tendo em vista o próprio desenvolvimento espiritual e o dos destinatários de suas ações.
No próximo e último tópico desta série, traremos diretrizes de luz, traçadas por André Luiz, de valor inestimável para todas as mulheres que buscam crescer espiritualmente e compreender melhor a missão singular que lhes foi confiada.
Diretrizes de luz
A conduta da mulher espírita
Compenetra-se do apostolado de guardiã do instituto da família e da sua elevada tarefa na condução das almas trazidas ao renascimento físico.
Todo compromisso no bem é de suma importância no mundo espiritual.
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Afastar-se de aparências e fantasias, consagrando-se às conquistas morais que falam de perto à vida imperecível, sem prender-se ao convencionalismo absorvente.
O retorno à condição de desencarnado significa retorno à consciência profunda.
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Afinar-se com os ensinamentos cristãos que situam a alma nos serviços da maternidade e da educação, nos deveres da assistência e nas bênçãos da mediunidade santificante.
Quem foge à oportunidade de ser útil, engana a si mesmo.
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Sentir e compreender as obrigações relacionadas com as uniões matrimoniais do ponto de vista da vida multimilenária do Espírito, reconhecendo a necessidade das provações regenerativas que assinalam a maioria dos consórcios terrestres.
O sacrifício representa o preço da alegria real.
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Opor-se a qualquer artificialismo que vise transformar o casamento numa simples ligação sexual sem as belezas da maternidade.
Junto dos filhos apagam-se ódios, sublima-se o amor e harmonizam-se as almas para a eternidade.
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Reconhecer grave delito no aborto que arroja o coração feminino à vala do infortúnio.
Sexo desvirtuado, caminho de expiação.
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Preservar os valores íntimos, sopesando as próprias deliberações com prudência e realismo, em seus deveres de irmã, filha, companheira e mãe.
O trabalho da mulher é sempre a missão do amor, estendendo-se ao infinito.
“E, respondendo, disse-lhe Jesus: - Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”
(Lucas, 10:41 e 42)
Mensagem contida na obra “Conduta Espírita”, de André Luiz (psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira)
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“E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;
















